Um mês após o lançamento de Herança Maldita, seu 34.º romance, Ryoki Inoue assinou, na semana passada, um contrato de exclusividade de três anos com a Editora Carthago & Forte, de São Paulo. Pelo acordo, toda a sua produção intelectual – livros, roteiros, novelas, crônicas etc. – passa a ser administrada pela Carthago, fundada há um ano e que já publicou 22 títulos, entre romances e livros técnicos.
“É um contrato inédito em termos de Brasil”, diz o escritor. “Iguais a esse, só nos Estados Unidos ou Alemanha.” Ryoki não revela cifras, mas assegura que o acordo “é de nível internacional e satisfaz ambas as partes muito bem, sem nenhuma cláusula leonina”. Não há um número predeterminado de livros. Apenas o compromisso de escrever. E muito.
Segundo Ryoki, ele escolheu a Carthago “por ser uma editora nova e com muita vontade política para fazer coisas boas”. Depois de dois meses de muita conversa e viagens entre Piúma (ES), onde mora, e São Paulo, ele conseguiu “uma relação de amizade muito forte e muito importante”. Apesar de ter seu passe adquirido pela editora, ele tem cinco livros para ser lançados nos próximos meses, por força de acordos anteriores. A Editora Olho D’Água lançará, em agosto, O Caminho das Pedras, um manual para aspirantes a escritor, em que ele conta “os truques do ofício”.
Pela Hemus, sairão, até o final de julho, Do Mago ao Louco, O Iluminado, O Cristal e A Roda da Fortuna. Mas o nosso rei dos livros não pára: está desenhando novas produções, no estilo best-seller. “Será uma série, com o mesmo tema ou personagem”, adianta o prolífico autor.
Além dos livros, ele vendeu um roteiro de cinema, Mamma Rádio, para Renato Bulcão, professor da ECA-USP. “O filme deverá começar a ser produzido no segundo semestre. É sobre uma família de caminhoneiros dirigida por uma matrona, que controla a frota por rádio”, conta Ryoki. Outro projeto, “para sair dentro de uns cinco anos”, é o semi-autobiográfico Estetoscópio, no qual retrata o mundo da medicina, profissão que exerceu por 16 anos, de 1970 a 1986.
Ryoki tem consciência de pertencer a uma categoria rara: “É uma superelite. Dá para contar nos dedos quem vive somente de literatura hoje no Brasil.” Para ele, “o maior problema do escritor profissional é não ter agente literário, uma classe que não existe no País. É péssimo em todos os sentidos”.
Sobre a atual produção literária brasileira, ele acha que “realmente há muita coisa boa, novos autores, mas o mercado livreiro tem muito medo de investir em nomes inéditos”. Segundo Ryoki, “é muito mais barato comprar um best-seller na Feira de Frankfurt, com retorno garantido, do que patrocinar um autor nacional desconhecido”, sentencia.
Silvio Atanes
Folha da Tarde
Domingo, 30 de abril de 1995
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